Augustin Fresnel



As características e singulares lentes dos faróis, materializadas a partir da teoria da óptica ondulatória e do sistema dióptrico-catróptrico (refracção e reflexão da luz), permitem, através do seu jogo de lentes escalonadas, duplicar o alcance da luz das habituais 10 a 15 milhas náuticas (1 milha náutica = 1852 metros) para as 20, 30 ou mais milhas. Este importante incremento para a segurança na navegação deve-se ao físico francês Augustin Fresnel (1788-1827).

Fresnel não era um acadêmico de formação nem um homem do mar, mas engenheiro de pontes e calçadas, contudo, é hoje justamente considerado o fundador da óptica (cristalina) moderna. Em 1823, inspirado em anteriores experiência de Buffon e Condorcet, desenvolve uma estrutura de anéis de vidro concêntrico, ligados em saliências com cola de peixe, uns sobre os outros. No centro fixou uma fonte luminosa, constatando que o jogo de lentes e espelhos (refracção e reflexão), por si criado, permitia concentrar e ampliar a luz, sem perdas significativas.

A sua publicação sobre a difracção valeu-lhe, em 1819, o Prémio da Academia das Ciências. No seu texto descreveu os espelhos, que posteriormente foram designados por "espelhos de Fresnel", demonstrando que só a teoria ondulatória da luz poderia explicar os fenómenos de interferência luminosa. Tendo em conta os fenómenos de polarização, admitiu que o movimento ondulatório da luz podia ser transversal. Apresentou a hipótese da existência do éter como suporte das ondas luminosas e introduziu os integrais de "Fresnel" para estudar a repartição de intensidade das franjas de difracção.

Após a descoberta, Fresnel prossegue o seu trabalho afinando a combinação de lentes e espelhos com o objectivo de produzir uma melhor visibilidade à distância, avançando para o sistema mecânico de rotação, de modo a minimizar as vibrações no foco luminoso. Por fim, aplica o sistema de luz de "relâmpagos", alternando um período curto de luz com um período mais longo de obscuridade. Este sistema constitui a "linguagem dos faróis", um código de identificação personalizado para cada farol, através de diferentes combinações de períodos luminosos. O farol torna-se "um número", porque nele tudo é "sóbrio, exacto, nu, preciso" - Vítor Hugo.

Inventada há quase 200 anos, a lente de Fresnel ainda hoje é usada nos faróis de todo o mundo.

in Museu Marítimo de Barcelona


Farol do Cabo Sardão | Odemira



A instalação de um farol no Cabo Sardão já integrava um plano de farolagem datado de1866, no entanto, a sua construção apenas se iniciou a partir de 1902, tendo entrado em funcionamento a 15 de Abril de 1912. Electrificado em 1950, foi ligado à rede pública de distribuição de energia eléctrica em 1984.
O farol apresenta-se com uma torre quadrangular branca, com 17 metros de altura, construída em alvenaria e encimada por uma lanterna cilíndrica vermelha. Foi construído com a torre do lado de terra, ao contrário de todos os outros faróis com estruturas e localizações similares.
Curiosidade: Até aos anos 50, o serviço de entrega e recepção de correio do farol era feito por uma estafeta, cujo vencimento era de 200$00 mensais, destinado a retribuir «16 viagens por mês, a pé, de mais de 20 quilómetros cada, e por péssimo caminho, parte dele quase intransitável no Inverno», viria pouco mais tarde a ser aumentada para 300$00 (testemunho recolhido junto do faroleiro de serviço do Farol de Leça, em Março de 2009).

Localização - Cabo Sardão/Ponta do Cavaleiro/São Teotónio/Odemira
Coordenadas - Latitude, 37º 35' 8'' Norte; Longitude, 08º 48' 9'' Oeste
Estrutura - Torre quadrangular branca, com edifício anexo
Altura da torre - 17 metros
Sistema iluminante - óptica em cristal, direccional rotativa
Luz - branca
Alcance luminoso - 23 milhas
Ano de estabelecimento - 1912

"O lugar convida a passeios equestres, mas o automóvel dá bem conta do troço de estrada alcatroada que leva ao Cabo Sardão. Em se ultrapassando o casarão fantasmagórico do farol, respeito: temos diante dos olhos a natureza em estado puro e bruto, com a rocha xistosa a despenhar-se quase a pique no oceano. Entre as garras do gigante sáurio adormecido, as águas formam um abismo verde salpicado por borbotões de espuma; é uma visão solene e esmagadora, que o pio das gaivotas sobrevoando os rochedos torna quase lancinante."
Regina Louro, Baixo Alentejo